Desafios da gestão familiar

A atual crise promoveu um novo fenômeno: o retorno dos donos dos negócios ao gerenciamento de algumas grandes empresas. Tornou-se comum ouvirmos de analistas, administradores e especialistas do mercado que o modelo da empresa familiar está fadado ao fracasso. Alegam não haver espaço entre as empresas que adotam tal modelo de gestão para a necessária modernização, profissionalização e transparência, atributos tão cobrados pelos mercados. Pois bastou a eclosão da atual crise para que empresas que adotavam o modelo de administração familiar, e acabaram profissionalizando suas gestões, estarem envolvidas em sérios problemas gerados justamente pelos administradores profissionais. Vimos, então, o retorno dos próprios donos dos negócios ao gerenciamento de algumas grandes empresas. São exemplos desse fenômeno a gigante mundial Dell, com seu fundador, Michael Dell, voltando a assumir a direção da companhia, e o grupo Schincariol, com o retorno de Adriano Schincariol ao comando da corporação. Isso sem contar os diversos exemplos de empresas cuja administração é familiar e que mantêm-se sólidas e produtivas, até mesmo em momentos difíceis como hoje. Este retorno é um movimento comum em empresas nas quais as pessoas, donos e funcionários estabelecem vínculos que transcendem a identidade corporativa e os interesses financeiros e societários. É claro que há também companhias familiares enfrentando problemas, mas, muitas vezes, isso não acontece, necessariamente, em razão do modelo administrativo. Mesmo as empresas familiares podem e devem contar com administrações modernas e preparadas. Para isso, é essencial que seus gestores invistam em recursos de governança corporativa, em instrumentos de transparência administrativa, em uma estrutura com elementos tecnológicos e físicos adequados ao negócio, em constante atualização do pessoal de administração e em fontes de assessoramento que sejam referência no processo de tomada de decisões. À medida em que as empresas familiares se modernizam, e dependendo do seu porte e da estrutura da gestão familiar, se faz necessária a adoção de alguns órgãos deliberativos e de gestão que contribuem significativamente para a boa prática de governança corporativa. A auditoria independente, por exemplo, é um destes órgãos, e funciona como um agente da governança corporativa fundamental para dar mais transparência aos familiares, clientes, fornecedores, bancos e à própria sociedade. Além da gestão, outro tema sempre lembrado quando falamos de empresas familiares refere-se à sucessão empresarial. Não é raro termos notícias de processos de sucessão conturbados ou até litigiosos em empreendimentos desse tipo. Para evitar tais problemas, empresas familiares devem preparar-se com adequada antecedência para encarar esse momento de transição, buscando a contribuição de consultores profissionais que apontarão alternativas e caminhos a serem trilhados ao longo do processo. O que vale destacar é que, ao final, não importa tanto a natureza da gestão das empresas, se conduzidas por profissionais de mercado, ou da própria família. A grande questão que permanece é que, para se garantir o bom andamento, a preservação e até o crescimento e evolução das corporações, é sempre necessário que sejam utilizadas certas ferramentas, principalmente para mensuração de riscos, adotados métodos e seguidos determinados princípios universais do que se entende por moderna administração, como as novas tecnológicas de produção e gestão, atualizadas referências administrativas e iniciativas que constituem as bases da governança corporativa. Neste sentido, é altamente recomendável que os gestores – sejam eles profissionais de mercado, ou representantes de administrações familiares – estejam sempre muito bem assessorados por agentes confiáveis. Por Mateus de Lima Soares é sócio-diretor da BDO Trevisan Autorização de publicação de texto por: Keila Taira Gerente de Unidade de Negócios HSM Management e Online HSM Inspiring Ideas hsm.com.br
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